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Fiscalização do toxicológico vai salvar mais vidas de caminhoneiros e usuários das rodovias
Caminhoneiro drogado se atirou do veículo em movimento na frente do Posto da PRF na BR-163/MS

Somente em 2022, foram registradas 2.488 mortes em acidentes (sinistros) com a participação de caminhões e 17.298 feridos. Das vítimas fatais, 776 eram ocupantes de caminhão.

Neste 28 de dezembro, encerra-se o prazo para motoristas com exame toxicológico periódico vencido regularizarem sua situação. Segundo estimativas da entidade que reúne alguns laboratórios, que não foi até o momento contestada pela Senatran, é que pouco mais de 20% dos condutores compareceram.

Isso significa em torno de 1 milhão de condutores dos 4 milhões de motoristas das categorias C, D e E que estão com exame pendente. Portanto, cerca de 3 milhões continuarão circulando sem fazer o exame.

O uso de drogas por motoristas profissionais é comum entre aqueles que são pressionados pelas empresas para dirigirem muitas horas sem dormir a fim de chegar antes ao destino. Neste rol, encontramos caminhoneiros autônomos, transportadoras de carga e de passageiros, além dos donos da carga.

Embora os usuários de drogas sejam de diversas categorias, são os caminhoneiros e motoristas de õnibus os que mais são pressionados a dirigir longas horas sem parar, o que leva muita vezes ao uso de drogas para permanecerem acordados.

Os dados dos laboratórios revelam que a droga predominante, em 70% dos laudos positivos, é a cocaína. O que já indica o tamanho do risco dos que cruzam com motoristas de veículos pesados nas rodovias e ruas do Brasil.

Mas os motoristas profissionais pagam com a própria vida e às vezes dos seus familiares as consequências dessa exploração. Segundo o mesmo Anuário da Polícia Rodoviária Federal, em 2022 foram registradas 776 mortes de ocupantes de caminhão nas rodovias federais e 6.617 ficaram feridos.

Não existem dados confiáveis sobre o número de mortes em decorrência do uso de drogas, mas as pesquisas e testes realizados pelo Ministério Público do Trabalho já comprovaram média de 30% de usuários de drogas, através do exame toxicológico de larga janela que detecta o uso frequente nos últimos 90 dias.

‘Quando cerca de 3 milhões de condutores não comparecem, portanto, dirigem com a habilitação irregular, e 30% dos exames realizados pelo próprio Ministério Público do Trabalho em Operações de Jornada Legal confirmaram o uso de drogas, fica evidente que a participação de motoristas usuários de drogas nos acidentes (sinistros) é provavelmente maior que 30%. Afinal, quem não usa costuma ser vítima e não causador dessas tragédias’, esclarece o Coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto.

Para Rizzotto, o exame ajuda a combater o uso de drogas, mas também a concorrência desleal, porque a maioria dos condutores que não usam essas substâncias perde trabalho para quem usa e aceita trabalhar em condições desumanas.

‘Não tenho dúvida de que essa política pública vai salvar cada vez mais vidas, inclusive de caminhoneiros, na medida em que seja aplicada com o máximo rigor. Sem contar que contribui para restaurar a dignidade do trabalhador e do caminhoneiro autônomo. Ao mesmo tempo, a falta de fiscalização tem matado gente como a professora Vanessa e seu filho que morreram num engavetamento provocado por motorista que estava com o exame toxicológico vencido há mais de dois anos, acrescenta o autor do estudo ‘As Drogas e os Motoristas Profissionais’.”

 

Fonte: estradas.com.br

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